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quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu sou brasileira e não desisto nunca!



Um dos meus primeiros posts aqui no Le Sucrier foi sobre a Bolívia e uma de suas bebidas mais tradicionais - o Mocochinche. Falei sobre uma dificuldade enorme em encontrar pêssegos secos, indispensáveis para a execução da receita.

E assim foi por quase seis meses procurei em todos os cantos, segui algumas dicas e nada. Nem no mercadão, nem na Rua mercúrio, nem na conchichina... A resposta sempre era a mesma: Não. Ou apenas um aceno negativo com a cabeça.

Houveram também aqueles que se espantavam. É isso mesmo, me olhavam como se eu estivesse pedindo olhos de cabra (no maior esquema rality show)... "Eca, isso não tenho não." Mas esse próprio cidadão vendia figos secos, bananas secas e até abacaxis secos, até agora estou tentando entender a indignação com os pêssegos... Deveria ter-lhe perguntado!

E assim foi por meses a fio. Sorrindo a cada negativa e pensando que em breve eu encontraria. Entretando um dia, completamente despreocupada, fui com minha mãe ao Santa Luzia para comprar os ingredientes daquela barra de chocolate que também postei aqui. Eu estava procurando pétalas de rosas cristalizadas (cada coisa que eu procuro!), quando de repente... Lá estavam eles, lindos e dourados piscando para mim!!! Pêssegos secos... Unbelievable, achei-os.


Quem estava no Santa Luzia, nunca mais deve ter esquecido uma louca que brandava (para não dizer berrava, mesmo) - Mãe, olha, olha, pêssegos secos, são pêssegos secos, mãe!!!!  Ué cadê minha mãe? - A pobre estava escondida atrás de alguma gôndola vermelha como um morango, toda envergonhada...

Bom, mas enfim, achei o ingrediente mais procurado dos últimos meses. Fiquei mais feliz ainda quando cheguei em casa e os abri para constatar se eram pêssegos mesmo. Um suave aroma de pêssego, com uma cor embriagante, eles pareciam pedras preciosas, sem exagero, eram lindos mesmo.


Pois bem, ontem passei a mão na receita e fui em frente... Deve ser feito de véspera. Só para aumentar a minha intrínseca ansiedade! Vamos lá, o resultado foi óooootimmo! Pude provar com 30 e poucos anos de atraso (leia-se o post da Bolívia), mas valeu esperar, procurar e esperar a noite para que os pêssegos secos ficassem de molho.

Segue a receita




Mocochinche

400 g de pêssegos secos
2 1/2 litros de água
1/2 xícara de açúcar refinado

Deixe os pêssegos de molho em 1 e 1/2 litros de água um dia para outro. Ferva-os nessa água até que a água fique amarela clara. desligue o fogo e acrescente o litro d'água restante.

Faça um caramelo claro com o açúcar e despeje na panela dos pêssegos. O caramelo vai solidificar, mexa até que ele derreta. Leve a geladeira e sirva bem gelado e com os pêssegos hidratados pelo cozimento. Fica booooom!
  

Valeu a pena ser brasileira e não desistir nunca... (rs)
Beijinhos a todos,
Dani

domingo, 16 de agosto de 2009

Nem só de batata vive a Bolívia

Esse país pobre, com um povo simpático e convidativo, tem uma forte personalidade gastronômica. É vero que muitas vezes estranho ao nosso paladar, eu por exemplo, não sou muito chegada em uma de suas grandes tradições, que seriam tripas, veias, rins e coração de boi ensopados! Essa fico devendo.
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Lá, podemos encontrar por volta de 120 tipos de batata, o milho mais doce do mundo e uma variedade imensa de frutas cítricas, todas lindas e bem saborosas ( boa parte delas podemos encontrar aqui no Mercadão). Sem dizer nas deliciosas saltenhas, pastéis assados recheados de vários sabores que são consumidas principalmente de manhã, mas são vendidas nas ruas e praças durante todo o dia.

Mas o que realmente me intriga não são todas essas coisas e sim uma dúvida que me persegue há mais de 30 anos! Quando eu tinha por volta de 4 anos, fui a Bolívia com a família toda, quase toda mesmo, pai, mãe, irmãs, tios, primos... ufa! A uma certa altura do passeio pelas ruas do interior boliviano estavam todos sedentos naquele calor de quase 40 graus e nada de padaria, bar, nem mesmo um ambulante vendendo água.



Enquanto todos estavam empenhados em procurar, eis que surge um habitante local, fardado como tal, vendendo mocochinche. Mon Dieu, qu'est c'est que ce??? Todo mundo assustadíssimo com aquela bebida escura, com um pedaço de qualquer coisa indescritível, sendo vendido num isopor??? Quem teria coragem de provar??? Um bando de viajantes a um passo de morrer de sede - menos eu, claro! Acho que desde pequena como com os olhos e naquela época não me pareceu muito apetitoso, mas todos os outros membros da família provaram a tal bebida e AMARAM!!!
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O tempo passou e depois de uns quinze anos, a história do mocochinche ainda era contada em reuniões de família. Foi quando a curiosidade começou a me atentar, mas tudo que consegui descobrir era que se tratava de uma bebida a base de pêssego.
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Ontem, vendo o Discovery Travel & Living me deparo com um programa onde o Andrew Zimmern, do comidas exóticas, passa pela Bolívia e prova entre milhões de coisas o danado do mocochinche. Ele provou o de amendoim, mas o de pêssego estava lá, ao lado, firme e forte 30 e tantos anos depois...
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Bom, em resumo, hoje com o maravilhoso evento da internet consegui descobrir do que realmente é feito o refresco! Descobri que existem vários tipos da bebida, e que realmente a mais tradicional é a da fruta. E ainda, que seu nome significa meleca. Os bolivianos não são muito bons em marketing, suponho! (rs)


Agora enfrento outro problema, na receita vai pêssego desidratado, e não encontro em lugar nenhum, nem mesmo no mercadão... Não conseguirei postar a receita ainda, pois sem o ingrediente principal, não consigo criar as proporções com os outros ingredientes. Se por ventura alguma alma viva souber onde posso encontrar o tal pêssego, please me diga, ok?

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beijinhos, Dani

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