domingo, 4 de outubro de 2009

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar...




Adoro como tem dias que a vida nos mostra de maneira escachada que somos meros joguetes em suas mãos. Para isso ela nos empresta um bom e generoso senso de humor.

Hoje pude ter certeza disso. Acordei, eu e meu barrigão de 8 meses de gestação, lépida e fagueira pois resolvi receber umas 10 pessoas para o almoço de sábado, me arrumei e ‘simbora’ para o mercado.



O menu foi resgatado do passado, lembro de ter feito esse prato pela última vez em 1993, um dos preferidos do meu pai e se resume basicamente em feijoada branca, couve e uma novidade que não se estendia aos tempos remotos – farofa de banana!

Ótimo! Lista de compras na mão (em cabeça de grávida não se confia), beijocas na filharada e supermercado lá vou eu. Logo de cara me deu um branco, esqueci repentinamente onde estava indo e parei não sei por que cargas d’água na papelaria... Isso, papelaria! Aproveitei o devaneio e comprei umas folhas que há muito precisava, mas que por ironia do destino nunca lembrava de parar por lá (rs).



Na sequência, entrando no mercado, uma senhora, tadinha, mais perdida do que eu, fechara a entrada com seu carro e gentilmente me dizia: Pode vir, pode vir! Eu atônita pensava comigo mesma: para onde raios! Mas calmamente respondia: não dá minha senhora, seu carro está fechando a entrada. A senhorinha, que com certeza é adepta de fortes emoções, acelerou o possante e subiu na calçada me dando passagem! Que perigo! Fiquei imaginado o que mais poderia ocorrer no trajeto da jovem senhora até seu destino final!



Já dentro da loja, tentei fazer as compras o mais rápido possível. Carregar a mega pança cansa. Quando terminei de pagar, lembrei que as orelhinhas do pobre porco estavam faltando (cabeça de grávida é uma beleza!). Mas com uma barriga do tamanho do mundo, todos os atendentes muito solícitos tentavam me ajudar.

Então, pude voltar e pegar a iguaria. Na volta aquela maledeta portinhola estava fechada, mas o caixa, muito simpático e cheio de boas intenções, sorridente dizia: pode passar por aqui senhora! lá fui eu. Portinhola quebrada – resultado – gestante entalada! Não ia pra frente e nem pra traz, mas nem pensar em largar as orelhas. O atendente, novamente muito esmerado dizia: senhora, pode deixar o pacote no balcão, depois passamos... Vergonha? Por que? Só porque todas as pessoas da fila me olhavam? Claro que sim!



Bom, daí para frente desandou o bolo. Parecia que tudo ia mal, o porco cozinhou demais, a panna cotta talhou, o feijão ficou pouco... Peraí seria sexta feira treze? Não dia 2! Bom, resolvi relaxar, respirar fundo e contar para as pessoas como foi meu dia e rir de mim mesma, afinal de contas se está ruim assim, não dá para ficar pior. Dito e feito, gelei o suíno para criar consistência, fiz mais feijão com a ajuda e paciência da Zefinha, e o flan de doce de leite que peguei no blog gourmandise, ficou um sucesso!

... No dia seguinte...

Realmente as carnes ficaram muito cozidas, passou o ponto messsssssmo. O feijão também, deu aquela desmilinguida, mas a couve e a farofa ficaram gostosas e a sobremesa de doce de leite – deleitável!

O que importa é que o gosto ficou ótimo! Todos embalados em risadas pelas histórias do dia anterior e um bom vinho português, se deliciaram e se divertiram a valer, inclusive eu, rindo das minhas próprias façanhas. E meu pai, claro, adorou o saudoso prato!

Segue a receita



Feijoada branca

Carnes:

1 kg de costelinha de porco

1 kg de pernil suíno

2 gomos de linguiça portuguesa

300 g de linguiça toscana

2 pés de porco partidos ao meio

1 pacote de orelhas de porco

1 cebola média

Tire o sal dos pés e das orelhas e os cozinhe na pressão. Cozinhe o restante das carnes com sal pimenta e cebola. Mas deixe um pouco durinhas, não totalmente cozidas. (aí que me lasquei!)

Feijão

3 kg de feijão branco

1 cebola grande

3 dentes de alhos bem picados

500 ml de vinho branco seco

1 concha do caldo do cozimento das carnes

1 colher de chá de alecrim bem piacdinho

1 colher de chá de pimenta do reino branca em grãos, amassadas e picadas bem pequenas

3 pimentinhas malaguetas defumadas bem picadinhas

óleo de girassol

sal a gosto

Cozinhe o feijão al dente (aí que me lasquei de novo). Reserve

Refogue a cebola e alho no óleo. Acrescente o vinho e deixe evaporar um pouco. Adicione o caldo das carnes, metade do alecrim as pimentas e deixe reduzir mais um pouco (uns 5 minutos).

Coloque as carnes, e deixe cozinhando por mais 5 minutos com a panela tampada e na sequência junte o feijão. Deixe cozinhar até que o feijão esteja bem macio. Desligue o fogo, acrescente o restante do alecrim e está pronto! Eu fiz um dia antes, e deixei na geladeira bem tampado para acentuar bem o gosto!

Bom queridos é isso, mesmo achando que a nossa senhora da boa comida estivesse em greve na sexta-feira, tudo deu certo no final! Que beleza!
beijinhos a todos,
Dani

6 comentários:

  1. No final tudo sempre dá certo!!!!! Aqui em casa adoramos feijoada, seja ela branca ou preta. rsrsrsrsrs
    A sua ficou muito apetitosa.
    Tenha uma linda semana.
    bjks,
    Fernanda

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  2. Uma bela feijoada. Eu adoro receber pessoas em cas...me dá prazer. Beijinhos

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  3. Oi Dani, olha vc é muito engraçada, morri de rir da sua estória...
    e seu blog já está na lista dos meus favoritos...ADORO seu bom humor!
    E vc, já deu uma passadinha lá no meu?
    Beijocas

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  4. Glorinha, passei no seu sim. tentei deixar um recadinho, mas não consegui. Vou tentar de novo. Obrigadinha pelo carinho.
    Beijinhos
    Dani

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  5. Dani,

    seu bom humor é o que mais vale a pena.
    Aposto que a feijoada branca estava uma delicia, mas ótimo mesmo deve ter sido sua simpatica companhia.

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  6. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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